26/04/2005

Trepadelas no sul

Fomos dar descanso ao espírito lá para as bandas do Algarve. Sim, só ao espírito porque o corpo veio todo amassadinho e o estômago trabalhou ainda melhor.
Na terra do infante além de mar e vento também se pode escalar e foi com esse objectivo que fomos visitar a falésia da Baleeira onde um inglês andou a abrir vias. Só se esqueceu foi de deixar lá também um bocado de coragem. É que o músculo que fica entre as orelhas é preciso estar bem treinado para trepar estes penedos. São algumas dezenas de metros até ao mar e sempre na vertical. Mas vale bem o esforço e aquilo tem muito potencial. Tem perto de um quilómetro de falésia prontinha a receber novas vias. Haja coragem e dinheirinho...

A coisa tem um ambiente tanto de fantástico como de assustador. É de fazer tremer até as unhas dos pés. Para quem não escalava há 5 meses acho que não me saí nada mal:






As fotos foram tiradas e gentilmente cedidas pelo zêmê.

20/04/2005

Na corda bamba

Recebi, finalmente, as minhas revistas de escalada e montanha que assinei por mais um ano. A Desnível é uma revista espanhola de grande qualidade, especializada em montanhismo e escalada.

Para quem acha que estas actividades são coisa de loucos aqui vai um relato de um artigo que vem no número de Março sobre um escalador que decidiu dedicar-se ao funâmbulismo. É que andar pendurado em paredes já não tem graça nem emoção. O que está a dar é caminhar sobre uma corda a 1000 m do chão e sem segurança (a solo).




Claro que os treinos são feitos com corda pois de vez em quando a coisa corre mal...



Mas é na pureza da coisa que assenta o espírito destes homens que desafiam o abismo entre o céu e a terra. Sem corda é que é e o autor do artigo, Heinz Zak, atravessou sobre a corda, sem segurança a famosa Lost Arrow, em Yosemite.

E citando o próprio: “De repente perco o objectivo de vista e consigo manter-me calmo sobre a corda. Inspirar, expirar, inspirar, expirar. Estou suspenso no ar a 1000 m por cima do vale de Yosemite e a ânsia de chegar ao outro lado desapareceu. O tempo parou e a sensação de medo desvanece-se...
...com um grito de alívio alcanço a pequena plataforma de rocha do outro lado.”

15/04/2005

João Garcia no Lhotse

Eu sei que não é novidade nehuma o facto de o nosso melhor alpinista estar mais uma vez nos Himalaias mas é que já está disponível no público o diário da expedição.

É só para os interessados irem acompanhando mais uma trepadela...

13/04/2005

O viagra e as montanhas

Um estudo efectuado pela universidade de Barcelona chegou à conclusão que os famosos comprimidos azúis facilitam a aclimatação à altitude bem como evitam o mal de montanha, problema que padecem muitos dos montanhistas em altitude. E para verem que eu não estou a inventar deêm uma espreitadela.

Já pensaram nos efeitos colaterais da coisa? Agora as mulheres dos alpinistas que não sobem montanhas e normalmente ficam em casa têm bons motivos para os acompanharem. Assim, se o mau tempo não permitir as subidas aos cumes permite pelo menos que a malta se divirta cá por baixo...

12/04/2005

Crónicas da ilha grande: o grande olho



Picadilly Circus é uma das mais famosas praças de Londres onde tudo o que é turista e não turista passa. Torna-se difícil não passar por lá pois é, por excelência, o centro de Londres. Não tem grande graça e a quantidade de gente que circula na rua impõe um ritmo de gincana no nosso caminhar que roça o insuportável.

Não perdemos muito tempo para além do estritamente necessário a umas quantas fotos. Afinal íamos passar por aqui mais umas 5 vezes pois, como já referi, isto é o centro e é quase inevitável passar por lá.

16:30 – Para quem vive tão perto do mar e numa cidade tão talhada pela presença de um rio como é Lisboa torna-se impossível contornar a atracção que o rio “Thames” tem sobre nós e dirigimo-nos, quase sem perceber, ás suas margens.

É lá que, do outro lado, se avista o famoso grande olho, ou melhor, o Olho de Londres (London Eye). Uma roda gigante em aço, pintado de branco, com uns ovos da páscoa transparentes a andar à volta. Um olho de onde tudo se vê e se paga 18€ para estar 2 horas na fila e 30 min a andar à roda dentro de um dos ovos. Não fomos neste dia mas no dia seguinte cumprimos a tarefa de turista very tipical e lá fomos dar uma voltinha ao olho (a emoção não compensa o preço mas até se fazem umas fotos engraçadas lá de cima).



Passámos pela famosa ponte de Westmister e já o pôr-do-sol fazia cair sobre a cidade aquela luz mágica que faz as delícias de qualquer fotógrafo amador. O Big Ben e o parlamento ficaram bem na foto, não acham?



18:30 - Mais uns passeios por aqui e por ali e decidimos ir comemorar o aniversário da Ana a um qualquer restaurante da zona de Islighton.

20:00 – Como não podia deixar de ser caímos num restaurante iltaliano que era ao mesmo tempo uma mercearia de produtos para cozinhados italianos. Uma fatia de bolo de chocolate fechou a coisa em grande.



26/03/05
8:00 – Saímos do hotel à pressa pois convinha chegar cedo para que a visita o olho de Londres não fosse tomar o dia todo. Lá gastámos a massa quase toda e demos a voltinha de ovo. Acho que foi a primeira vez que viajei com a British Arways.

10:30 – Caminhámos pela margem esquerda do Thames rumo à Tate Modern. O edifício é digno de se ver. Resultou da reconversão de uma antiga central termo eléctrica e está fabuloso. A sala das turbinas foi a minha preferida, ora digam lá se não concordam?



Visitada a exposição permanente da Tate (que é grátis) continuámos o nosso périplo pela margem do rio e mais umas voltas por aqui e por ali vagueando um pouco sem destino ao sabor da vontade dos nossos pés.

15:30 – Decidimos ir ver a zona de Old Street mas ainda não tínhamos almoçado e o estômago estava todo encostado às costas. Voltas e mais voltas no autocarro vermelho e finalmente Old Street. Não sei porque é que aqui viemos mas aquilo estava deserto e tudo quanto fosse restaurante ou café estava fechado. O primeiro supermercado que encontrámos salvou-nos da fome. Comprámos duas sandes daquelas que já vêm embrulhadas de fábrica e que por acaso deveriam estar a passar de prazo pois estavam a metade do preço. Soube-nos que nem água no deserto e zarpámos dali para fora o mais depressa que pudemos.

17:00 – Por último fomos visitar a Tower Bridge e aqui fica o registo.



E antes que a chuva nos apanhasse entrámos num autocarro vermelho já com o motorista a gritar que não cabia mais ninguém e que tínhamos que sair. Nestas alturas eu só sei falar português e faço um sorriso de orelha a orelha como se não estivesse a perceber nada do que me dizem. Simpático o senhor, ainda há gente simpática nesta cidade.

20:00 – Jantámos na tal pizzaria turca em Nothing Hill e fomos, a esfregar a barriga de tão empanturrados, a pé, até ao hotel dando espreitadelas nas agitadas ruas e lojinhas que teimavam em não fechar pela noite dentro. Seria a nossa última noite em Londres e é, por fim, a última das crónicas da ilha grande.

Desculpem-me os mais entusiasmados mas isto tinha que acabar algum dia e já gastei muita letra a descrever uma viajem que só durou uma Páscoa e meia.

Até à próxima e... vão passando por cá.




04/04/2005

Crónicas da ilha grande: portobello road market



Refeitos e satisfeitos fomos a pé até à zona onde fica a famosa "Portobello Road". Como era sexta feira deveria haver mercado e assim foi. O Portobello Road market é uma espécie de feira da ladra misturada com feira mundo mix em que se podem apreciar tanto (in)utilidades como peças de design moderno que não têm lugar nas lojas da Oxford Street, talvez mais por falta de cunha do que de talento.

Quase todas as lojas de um lado e do outro são de velharias e antiguidades com uns cafés e restaurantes bem simpáticos. Digo isto porque se olharmos para as montras destes cafés vemos gente sentada a beber e a conversar e não vemos garrafas de Gatão e latas de Compal de pêra empilhadas como é comum em Lisboa.

Eis que no meio desta balburdia de gente, cores e sabores, passando pela zona das roupas em segunda mão e de uma banca com discos de vinil já (re)usados dou de caras com uma banca muito especial. A Ana nem reparou, pois encantava-se sempre que via uma banca de roupas com tecidos dos anos 80. Ao nosso lado estava alguém a vender cogumelos. Coisa normal numa feira onde já tínhamos visto vendas de peixe, frutas e flores. Mas estes cogumelos estavam isolados em frascos e tinham uns papéis à frente de cada frasco que indicavam: mexican, thai, hawaii...

Havia um casal de espanhóis interessados nos cogumelos o que me levou a escutar, disfarçadamente a conversa do vendedor dizendo: este aqui é mais forte mas deixa uma sensação de leveza inesquecível agora este mexicano é do melhor. Passei 3 horas a ver coisas, dizia. Eh lá!, pensei. Isto não deve ser para pôr na massa nem nos bifinhos au champignons.

É isso memso que estão a pensar... cogumelos aclucinógeneos, em plena rua numa banca com ar de estar ali todas as sextas feiras e há muitos anos. Pior, ou melhor, até têm site na net:

Provavelmente têm algumas perguntas a fazer mas a todas digo: não experimentei, não sei o preço, não perguntei. Saquei este postal surrateiramente e fui a rir contar à Ana. E como dizem os gauleses: estes bretões são loucos! Ou andam a ver se ficam.

Passada esta curiosidade percorremos a outra metade da rua já com o estômago a acusar o vazio das horas. Deveriam ser umas 14h e a fome já não precisava de vir.

14h30m - Um restaurante com uma espécie de forno de pizza chamou-nos a atenção pois saiam de lá de dentro uma espécie de pizzas mais compridas que as italianas e com um aspecto de fazer crescer água na boca. Viemos a saber que se chamam PIDE e são pizzas turcas. Comprámos uma e fomos partilhá-la para os Kensigton Gardens. São uma delícia. Recomendo a de espinafres com queijo feta.


15h00m - Próxima paragem: Piccadilly circus

03/04/2005

Crónicas da ilha grande: bacon e ovos mexidos - parte II

1h15m - Pergunta naquele restaurante do outro lado da rua. Dizia a Ana não conseguindo disfarçar a irritação pelo facto de eu, como todos os homens, nunca querer perguntar nada a ninguém na rua.

Como situações desesperadas pedem actos desesperados lá me enchi de coragem e entrei no tal restaurante, grego por sinal, para saber onde ficaria um hotel que é nesta rua mas que não se sabe onde. Os empregados que falavam um inglês pior que o meu grego avisaram-me, sem grande convicção, de que eu estaria muito longe. Ou fui eu que percebi mal. Segundo a descrição teríamos que virar na próxima à esquerda e depois na 2ª à direita e depois da rotunda, no segundo semáforo virar... blá, blá, blá... Entretanto, lá do interior da Grécia surge alguém vestido de cozinheiro com um avental branco e uma touca daquelas que se usam para evitar que caiam cabelos na sopa, olha durante uns minutos para o tal mapa, num silêncio tão profundo que me eriçava os pêlos do nariz pois, além de eu estar a fazer algo que me incomodava (admitir que estava perdido e que afinal tinha razão pois o facto de perguntar algo a alguém confirmava a minha suspeita de que não é a solução milagrosa e por vezes só complica) estava-me a sentir ignorado. Literalmente estava-me a ver grego para me orientar.


Quando fiz uma ameaça de balbuciar algo como: - vês, Ana. Para que é que perguntei. Este gajo não sabe nada... Olho para o braço estendido e o dedo indicador a apontar na direcção oposta ao restaurante: It's there!

O hotel ficava em frente ao restaurante, exactamente nas nossas costas quando decidimos atravessar a rua e ir ao restaurante fazer a tal pergunta que eu não queria. Estamos safos...

Já não sei quantas horas nem quantos minutos – Entrámos na recepção do hotel de queixo erguido, triunfantes pelo sucesso da aventura.

Nada como ouvir o recepcionista dizer, depois de olhar atentamente para o voucher que nos deram no Wake Up London: não temos cá nenhuma reserva com este nome e aliás estamos completamente cheios. (Isto até podia ser pior, não se aflijam. Imaginem que além de não termos quarto tínhamos uma perna partida? Afinal só não tínhamos quarto.)

Com umas chamadas entre o recepcionista e o wake up london lá se percebeu que havia um erro mas que nós podíamos ali ficar na condição de, no outro dia, mudarmos de quarto. Nada mau.

3h00m – O sono apoderou-se de nós.

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9h30m – O pequeno almoço de bacon e ovos mexidos deitou por terra toda a desilusão da noite anterior e fez-nos sentir, para além do gosto a gordura frita, o gostinho das férias.

10h30m – Objectivo: Portobello Road Market.