03/04/2005

Crónicas da ilha grande: bacon e ovos mexidos - parte II

1h15m - Pergunta naquele restaurante do outro lado da rua. Dizia a Ana não conseguindo disfarçar a irritação pelo facto de eu, como todos os homens, nunca querer perguntar nada a ninguém na rua.

Como situações desesperadas pedem actos desesperados lá me enchi de coragem e entrei no tal restaurante, grego por sinal, para saber onde ficaria um hotel que é nesta rua mas que não se sabe onde. Os empregados que falavam um inglês pior que o meu grego avisaram-me, sem grande convicção, de que eu estaria muito longe. Ou fui eu que percebi mal. Segundo a descrição teríamos que virar na próxima à esquerda e depois na 2ª à direita e depois da rotunda, no segundo semáforo virar... blá, blá, blá... Entretanto, lá do interior da Grécia surge alguém vestido de cozinheiro com um avental branco e uma touca daquelas que se usam para evitar que caiam cabelos na sopa, olha durante uns minutos para o tal mapa, num silêncio tão profundo que me eriçava os pêlos do nariz pois, além de eu estar a fazer algo que me incomodava (admitir que estava perdido e que afinal tinha razão pois o facto de perguntar algo a alguém confirmava a minha suspeita de que não é a solução milagrosa e por vezes só complica) estava-me a sentir ignorado. Literalmente estava-me a ver grego para me orientar.


Quando fiz uma ameaça de balbuciar algo como: - vês, Ana. Para que é que perguntei. Este gajo não sabe nada... Olho para o braço estendido e o dedo indicador a apontar na direcção oposta ao restaurante: It's there!

O hotel ficava em frente ao restaurante, exactamente nas nossas costas quando decidimos atravessar a rua e ir ao restaurante fazer a tal pergunta que eu não queria. Estamos safos...

Já não sei quantas horas nem quantos minutos – Entrámos na recepção do hotel de queixo erguido, triunfantes pelo sucesso da aventura.

Nada como ouvir o recepcionista dizer, depois de olhar atentamente para o voucher que nos deram no Wake Up London: não temos cá nenhuma reserva com este nome e aliás estamos completamente cheios. (Isto até podia ser pior, não se aflijam. Imaginem que além de não termos quarto tínhamos uma perna partida? Afinal só não tínhamos quarto.)

Com umas chamadas entre o recepcionista e o wake up london lá se percebeu que havia um erro mas que nós podíamos ali ficar na condição de, no outro dia, mudarmos de quarto. Nada mau.

3h00m – O sono apoderou-se de nós.

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9h30m – O pequeno almoço de bacon e ovos mexidos deitou por terra toda a desilusão da noite anterior e fez-nos sentir, para além do gosto a gordura frita, o gostinho das férias.

10h30m – Objectivo: Portobello Road Market.

3 comentários:

manamagana disse...

olhá revisão ortográfica!

Como vês a blogosfera devolveu-me a identidade original. Definitivamente o espaço virtual rege-se por regras que desconheço.

Sara MM disse...

Pois é... chegar a grandes cidades já de noite é muuuuuuito má ideia!!!
Eu e o Ricardo íamos indo desta para melhor na noite em que chegámos a S. Francisco (USA)... Foi sem dúvida o maior susto-"a posteriori" da minha vida (pois na altura nem me apercebi!)
Agora só arriscaria chegar de noite a locais tipo daqueles onde íamos escalar, isolados, no meio do nada e sem ninguém ou com escaladores pacíficos... sem os perigos das cidades!

ana ventura disse...

O meu maridão escreve tão bem!!!Só falta DIZER que as fotos são tiradas por mim!!!!