18/01/2008

Farrapos de montanha

Tudo começou com um bacalhau assado e batatas a murro, mergulhados em azeite, lá para as bandas da Aldeia de Joanes.

Com as mãos a esfregar a barriga rumámos ao refúgio “Nelinha das Lãs” onde, como já vem sendo hábito, fomos recebidos com honras de chefes de estado.

Apesar da tosse com que estava, o entusiasmo insuflado pelo facto de estar prestes a partir para a montanha com o João Garcia, fez com que o meu sono fosse ligeiro e rápido. Acordei com a sensação de ter adormecido há 5 minutos.

Saímos do Fundão à hora combinada e chegámos à Plataforma de Bejar no ápice.

De dentro do carro o termómetro antevia um choque térmico violento. Estavam -2ºC.

A botas pisaram os primeiros cm de neve por volta das 11h. O caminho faz-se por entre vegetação rasteira coberta por uma camada de cerca de 40 cm de neve. Não havia vento e o céu estava limpo.

As previsões diziam que estaria assim até domingo, podendo haver vento de madrugada e agravamento das condições ao início da tarde de domingo, o que seria perfeito para os nossos planos.

A serra de Bejar tem a forma de um pão de Mafra, dos compridos, com duas bochechas no lado sudeste: O Canchal de la Ceja (2342 m) e o Torreon.

Não tem uma paisagem surpreendente mas serve perfeitamente o propósito de tirar o pó às ferramentas de Inverno.

Escolhemos um local pouco abrigado do vento mas suficientemente plano para o acampamento. Em 20 min o Campo Base estava montado.



Vencendo a preguiça que reinava ainda saímos para um aquecimento na encosta norte do Canchal de la Ceja.

O João e a Inês decidiram-se por um trekking ligeiro enquanto que os 4 farrapos atacaram, em força, as pendentes de 60º de la Ceja.

Acabámos com a ajuda da corda que, prudentemente e porque o olho esquerdo é irmão do direito, o João tinha colocado na mochila.

Regressámos às tendas com a sombra a pisar-nos os calcanhares a tempo de preparar o 2º lanche do dia com chá feito a partir de neve derretida.

Por entre conversa fiada, fatias de pão com fuet, queijo e massa bolonhesa da Decatlhon regada com vinho tinto alentejano a noite foi esticando esquecendo-se os -4ºC do lado de fora.

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