07/11/2005

Insólitos Portugal

Fujo um bocadinho ao tema deste blog mas há um assunto que me deixa indignado, ora vejam:

A Brisa diz que o preço a pagar pela utilização de uma auto-estrada é igual à soma dos diversos troços desse percurso, ou seja, o valor de Lisboa ao Porto é igual à soma dos diversos troços. Podemos sair e voltar a entrar na auto-estrada que pagamos o mesmo.

Pareceria justo se assim fosse em todo o país. Mas na auto-estrada dos ricos, a A5, que liga Lisboa a Cascais paga-se 1,10€ para a percorrer na totalidade e mais 0,25€ se se sair em Porto Salvo. Ou seja quem vier de Lisboa para Cascais e tiver que ir a Porto Salvo ou ao Oeiras Park paga 0,25€. Depois volta a entrar na A5 e paga em Carcavelos mais 1,10€ ficando assim o percurso total em 1,35€. Fazer o trajecto em duas etapas sai mais caro do que numa só. E o mesmo acontece com a nova portagem do Estoril.

No mínimo insólito!

Para quem percorreu 9100 km nas estradas da Europa é no mínimo insólito que Portugal seja o único país a incentivar a entrada de veículos na cidade. Senão vejam: quem vem de Cascais com o objectivo de ir para o Porto se quiser fazer o trajecto mais seguro, mais rápido mas mais caro pode optar pela CREL, não percorrendo a cidade de Lisboa. Mas, para quem já paga o combustível a preços de rico, 3,50€ de portagens é dinheiro e, portanto, opta pela travessia da cidade de Lisboa, que é gratuita.

De todas as cidades europeias que atravessei de carro, Lisboa é a única em que se paga para não entrar...

É assim que enquanto uns discutem as portagens para entrar em Lisboa outros, de costas voltadas, discutem as portagens para sair de Lisboa.

Insólito... e bem português.

Liguei para o número de apoio ao cliente da Brisa e a resposta foi: - pois tem razão, a soma do preço da portagem por troços é igual ao total da portagem caso faça o percurso de uma vez só. E a A5? Perguntei. Pois, a A5 é diferente (deve ser noutro país, pensei). Como só existe uma portagem paga mais se sair a meio. Também ninguém anda a entrar e a sair das auto-estradas.

Pois, nem existem complexos empresariais nem empresas de distribuição ao longo da A5. Eu tenho cada ideia.

Isto hoje está um bocadinho ácido... mas há coisas que me irritam!
Até breve e... passem por cá, mas de uma vez só. É que se não lerem isto de seguida pagam duas vezes, ai pagam pagam!

1 comentário:

Ahraht disse...

Fiz marcha atrás (eu sei é perigoso) e reli este post. De facto estamos no único país (dos que eu conheço) em que isto acontece.

Julgo que o interesse em não se desenvolver uma rede viária pública como deve de ser apenas se identifica com o facto de se poder continuar a cobrar exurbitâncias com o Imposto Automóvel, com o Imposto Municipal de Circulação, com o Combustível e com Parquímetros. Enfim, a roubalheira do costume...

Aquele Abraço.