20/08/2005

Em actividade II



Com o chamamento da montanha a Croácia parecia cada vez mais longe e foi aí que decidimos deixar de vez as paisagens alpinas.

No entanto ainda queríamos passar por Udine e conhecer pessoalmente uma blogonauta com quem a Ana tinha trocado alguns e-mails. Contactámo-la e combinámos um encontro para essa noite, em Udine. Deveriam ser umas 13:00.

Depois da quarta tentativa descobrimos que em Itália o almoço é sagrado e que as bombas de gasolina, mesmo nas vias rápidas, fecham das 12:30 às 14:30. Com os nervos já a tomarem conta do bom senso e com muitas blasfémias à mistura dei à chave que estava na ignição do kangoo encarnado e um luzinha amarela que aparece no painel mas logo desaparece não se escondeu. Não, não é a luz da reserva mas sim a que indica que existe uma avaria qualquer. Melhor ainda é que com as novas tecnologias estas luzes fazem com que, por segurança, o carro não ultrapasse os 60 km/h.

Para quem tinha 130 km a percorrer, em auto-estrada, não era um bom presságio.

Depois daqueles 10 minutos de desespero que nos assolam quando achamos que só a nós é que nos acontecem destas lá consegui contactar a assistência Renault internacional que me enviou um reboque.

Este reboque conduzido por um simpático Italiano, que falava pelos cotovelos, mas só italiano, tinha a missão de me levar à oficina mais próxima que ficava a 8 km dali mas a 120 km de Udine. O problema é que estávamos numa tarde de sábado e as oficinas só abriam na segunda-feira.

O simpático condutor entretanto tinha um dilema: a oficina para onde deveríamos ir não tinha, nas proximidades, qualquer tipo de alojamento para nós e a que ficava ao pé de um parque de campismo só reparava camiões.

Mudámos de direcção na estrada pelo menos umas 3 vezes até que nos decidimos ficar no parque que estava ao pé da oficina dos camiões.

Quando desço com o carro de cima do reboque a tal luz de segurança tinha pura e simplesmente desaparecido. Uma luz que indicava avaria continuava acesa mas o sistema de bloqueio da velocidade estava desactivado. Se calhar precisava era de um pouco de descanso...

Decidimos, embora a medo, ir até Udine em busca do auxílio da nossa amiga e fizemos seguramente umas 30 tentativas de contacto. Nem telemóvel nem fixo. A moça tinha desaparecido.

Chegámos a Udine e demos uma última oportunidade aos telefones quando de repente alguém atende do outro lado. A Camilla não tinha ouvido o telefone mas sim tinha levantado o auscultador para ligar ao 112 a saber de dois portugueses perdidos no norte de Itália justamente no momento em que nós ligávamos. Eram umas 22h mas finalmente tínhamos encontrado a nossa anfitriã para os próximos 2 dias.

Quando a Camilla chegou ao pé de nós, dei de novo à chave e... tudo normal. Nenhuma luz acesa. Como é que eu explico a alguém, que nunca me viu, que o meu carro que, há 5 minutos estava avariado agora já não está, de modo a que não soasse a aldrabice.

Eu não acredito em bruxas mas que elas existem, existem!
E foi assim que passámos dois dias em Udine e, mais uma vez, a Croácia ficou adiada.

1 comentário:

Anónimo disse...

Será que não existem?