O grito de revolta: assim não dá

Na estória anterior falei da viagem à Serra da Estrela mas não referi um pormenor importante e desagradável que, infelizmente, vai sendo comum nos nossos parques naturais: a quantidade de lixo de plástico, de várias côres e formas, que aparece e não desaparece sózinho.

No domingo, ao regressarmos aos carros, vindos do Fragão do Poio dos Cães, quase distraidamente, alguém apanhou um saco de plástico que por ali andava perdido. Sem querer estávamos todos a recolher lixo pelo caminho de regresso e espantosamente, em 300 m de caminhada, juntámos dois sacos enormes daqueles do lixo cheios de plásticos, garrafas e até um trenó partido.

Perguntam-me porque é que em Portugal não se divulgam mais os nossos parques e nem sequer existem percursos assinalados para que possamos usufruir da nossa Natureza. Começo a achar que é melhor assim pois quanto mais longe vamos mais estragamos e mais queremos deixar a nossa marca, negativa. Assim não dá...

Existe um frase que diz "Não deixe nada mais do que pegadas não traga nada mais do que fotografias".

Este sitio de que vos falo está a menos de 5 minutos da estrada e tem a melhor vista da serra que eu conheço. Ninguém lá vai porque tem que se andar a pé e, pelos vistos, ainda bem...

Comentários

manamagana disse…
Grito de revolta sim!
Não há espaço verde que não tenha uma decoração imposta de plásticos e outros dejectos.
Não há passeio que não esteja pejado de cócós de cão!
Se o nível de civismo das sociedades se medir pelo respeito pelo ambiente devemos estar na pré-história do desenvolvimento.
Reivindique-se o direito à paisagem sem desperdícios.
Saquinhos de plástico em todas as mochilas, para trazer as porcarias para casa (salvo seja, quero dizer para o lixo mais próximo!!!)
Anónimo disse…
O problema resume-se a que os desenvolvimentos estão desfasados. O que respeita a ter cada vez mais coisas para consumir e usufruir avançou a uma velocidade supersónica, enquanto o que determina a capacidade para saber e usar com racionalidade as tais coisas cresce a passo de caracol. Pior ainda, para muita gente as tais coisas cairam do céu. Não houve esforço nem sacríficio para as obter. Então, gera-se o comodismo, a falta de respeito, em primeiro lugar por eles próprios e por consequência pelos outros. Sempre na mentalidade do chico esperto, que leva a vida numa boa. O civismo é vocábulo estranho, que não entra no reduzido léxico de meia dúzia de palavrões, que servem para tudo. Claro também ainda há os que bem pregam como Frei Tomás, críticos a tempo inteiro, sempre prontos a acusar alguém, mas incapazes de apanhar um papel do chão, e pela calada empurram ocontentor para bem longe da sua porta. Enfim deixam sempre para os outros as atitudes que eles apregoam.
Tudo isto para saudar a vossa atitude de denúncia, mas de exemplo. Apanharam o lixo que puderam e não lhes caíram os parentes na lama por isso.
Começa a ser nostálgico, recordar os anos 70 e o relato determinado da Carlinha, nos seus espevitados 4 anos, da sua descoberta após uma breve estadia na avó Piscareta: " Zita tens que ir à serra da Lousã, lá os pinhais, só têm pinheiros, não há papéis nem ossos..."
Paimica
Paimica disse…
Experiência de assinatura
Ahraht disse…
Caro Daniel,

Discordo com o facto de teres apanhado esse lixo. É lamentável que o tenhas feito... Não deves proceder dessa forma pois estás a contribuir para que se suje mais e mais.
Claro que estou a ser irónico mas repara que nós não temos política e natureza nem aprendizagem de natureza... e é por isso que não temos civismo. E em Portugal (e isto não consigo compreender) é onde se vê mais destas atitudes (as de sujar). Somos tão pequenos, o nosso território é tão pequeno...vivemos essencialmente nesse interior despovoado do turismo e estragamos tudo, poluímos como se não houvesse amanhã... No fundo andamos a "borrar" as mãos para comer...

João Mourão
http://geonauta.blogspot.com
manamagana disse…
Queridos montanhas acima desta blogosfera. A Barrabés lança mais um concurso de fotografia digital de montanha. Vão lá ver!

http://www.barrabes.com/fotobarrabes_05/portada.asp

susana
Mira disse…
tens toda a razao em estares revoltado,mas afinal contra quem? Contra os que deitam o lixo para o chao ou contra aqueles que educaram os porcalhoes?O problema esta ai,na falta de educoçao e civismo com que os pais e os educadores ensinam as crianças.Se tu tivesses tido outros pais tambem talvez deitasses lixo para o chao.Isto é um problema de sociedade que tem de ser resolvido na base.Beijos.Mira
ljma disse…
Daniel,
"Choquei" por acaso com este teu post antigo. Chamo-me José Amoreira e moro na Covilhã. Pratico regularmente actividades de ar livre na Serra da Estrela, como o montanhismo e a escalada. Como a ti, aflige-me o lixo deixado pelos pategos que vêm à neve (e outros também, até escaladores!), mas aflige-me ainda mais o rumo que o "desenvolvimento" do turismo está a tomar por cá, que é o de degradar, urbanizando (ou melhor: sub-urbanizando) a maior área possível e o de abrir novas estradas para o maciço central. Criei, já lá vai um ano, um blog sobre isto, O Cântaro Zangado. Dá uma vista de olhos e participa se achares que sim. Outra novidade que também talvez te interesse é que este Verão foi criada a Plataforma pra o Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela, que integra a Associação Distrital de Agricultores da Guarda, a Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ambas regionais), a Quercus, a LPN, a SPEA (nacionais), a Associção Desportos de Aventura Desnível (Lisboa) e particulares (como eu), para tentar manter a Serra da Estrela um espaço natural de qualidade. Enfim, isto já vai longo. Saudações!

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