31/03/2005

Crónicas da ilha grande: bacon e ovos mexidos

Perdoem-me o atraso mas aqui vai a primeira parte das crónicas de viagem:



Saímos de casa já com o peso das horas a empurrar as pálpebras. Não se sentia aquele sabor a férias. Depois de uma tarde bastante atribulada e uma mala feita em 5 minutos lá rumámos ao aeroporto. Partida para Heathrow: 20:50. Saímos, invariavelmente com 45 minutos de atraso. Duas horas dentro do tubo branco e aterrámos na ilha grande. Aí já o cheiro das férias se começava a sentir embora fossem exactamente 23h 50m.

0h 05m – “mind the gap between the train and the platform” (voz nasalada) é o que se ouve sempre que o comboio para numa estação.

0h 30m – chegada à estação de ligação com a “district line” para rumarmos a Queensway onde supostamente estaria o nosso Bed and Breakfast (BB). O assimilar da informação no diagrama da rede de metro foi um teste à nossa capacidade intelectual dado o avançar da hora mas, triunfantes da nossa conclusão, lá encontámos o cais de embarque quando se ouviu uma voz estridente saída não de um altifalante mas sim da gaganta de uma senhora dos seus 92 kg de peso a avisar que o metro acabava ali: “No more trains, tube is closed”. Isto não está a correr nada mal...

0h 40 m – Já na rua o desespero não olha a meios... táxi.

Oh 50 m – Entretanto: parabéns à Ana pois já estávamos no dia 25 de Março. Chegados à porta do BB a coisa não parecia querer melhorar. O Wake Up London é um espaço mais ao estilo youth hostel com música ruidosa, proveniente de uma cave, que sobe e desce à medida que os clientes abrem e fecham a porta. Não é bem isto que eu esperava mas, por 65 € e para quem passou a lua de mel de mochila às costas, um colchão onde estender este pedaço de corpo meio desconectado do processador central já era muito bom. Como diz alguém que eu conheço: já estávamos em "screen saver".

0h 51m – A recepção no BB foi no mínimo kafkiana: - estamos cheios, ouviu-se do outro lado do balcão.

0h 58m – A sorte é que o cansaço nos quebra a reacção. Eu olhava para o voucher e o Walter, o brasileiro que nos atendeu, salvou a situação. Como eles estavam “fully booked” tiveram a amabilidade de nos fazer uma reserva num hotel, sem qualquer custo, ali bem perto do BB. Mas... esse hotel é já aqui, dizia o Walter enquanto dava voltas ao pedaço de papel que seria a 263ª fotocópia de um mapa da zona onde estaria indicado o hotel, sem grande sucesso na orientação do dito (devia ter trazido uma bússola, pensei). Com algum esforço, pois aquilo estava praticamente ilegível, lá ficámos com umas breves noções do local e até já sabiamos o nome de mais duas ou três ruas aqui do bairro. Nada mau. Isto afinal está-se a compor!

1h 00m – Saímos para a rua com as malas atrás de nós como se de dois cãezinhos fiéis ao dono se tratassem. Pelo menos a rua que está na morada do hotel está no mapa e é já aqui ao lado...

amanhã há mais...

2 comentários:

Sara MM disse...

Adorei!
Não só a história como o modo como a contas... Nunca li uma crónica de viagem tão pormenorizada mas sem ser seca nenhuma!!
Espero pelo resto!
BJS
PS-A tal frase parece o nome de uma música ou mesmo de um grupo de música Alternativa!
Mas em repete-repete "nasalada" deve ser um pavor!

Anónimo disse...

alô daniel!
nada como ler este aventura parteI para me por a rir as gargalhadas (e olha que estou no meio de um projecto bem chato, a boa disposição não mora neste atelier!)
bjts para os dois, fico á espera do resto!!!

sílvia (e rui)!