29/01/2008

E porque não em Portugal?

Na minha visita diária aos blogues dos amigos não pude ficar indiferente ao texto escrito pelo David no pulmão.

Quem passa pelo montanhacima pode perguntar porque é que um amante da natureza e das actividades ao ar livre só escreve sobre montanhas fora de Portugal.

Não é por pretensiosismo nem mania típica de achar que a galinha da vizinha é melhor que a minha, não. Já cá estive, provei, gostei mas rapidamente fartei, e explico porquê:

Ainda só existia uma loja em Lisboa com material de montanha e escalada, a Pé ante Pé na Rua do forno do Tijolo e já eu conhecia os nomes e as marcas dos materiais. Coleccionava catálogos (os poucos que conseguia ter) que tinham os cantos revirados e a folhas gastas de tanto os folhear.

Foi quando conheci um amigo, o Filipe Mendes, actualmente professor de física no IST que comecei a fazer os primeiros passeios em Portugal.

Tudo era pensado ao pormenor. O dinheiro era pouco, o material caro e raro. As cartas militares eram compradas através de conhecidos no exército e eram cortadas em 8 folhas de cerca de 20x20 cm, coladas com adesivo para se poderem dobrar num tamanho confortável para a leitura. As botas eram compradas na loja das borrachas na baixa e os impermeáveis nas casas de material para pescadores e trabalhadores das obras.

Começámos pela travessia da serra de Sintra até ao cabo da roca. Em dois dias, com dormida junto ao mar.

E por aí começou passando pela Serra do Caramulo em 4 dias; Travessia Açor-Estrela em 4 dias; Serra dos Candeeiros (pelo menos 4 vezes); Serra da Estrela (umas tantas vezes); Serra do Alvão; Travessia Marão-Alvão; Ribeira de Murtega na zona de Barrancos/Nodar (pelo menos duas vezes); Serra de Aire; Cabo da Roca

Os únicos mapas que existiam eram as cartas militares, algumas com data de 1954.

E por aqui começaram as dificuldades. Mesmo aqui ao lado, na vizinha Espanha, existiam e existem mapas específicos para passeios pedestres. Existem passeios pedestres e parques naturais onde não entram carros mas as pessoas são bem vindas.

Eles até placas com indicações (tipo lagoa – 30 min ou Refúgio – 2h30min) espetam no meio dos montes, aqueles bárbaros.

Quem quer visitar os Pirinéus é obrigado a deixar o carro a 15 km de distância, num parque de estacionamento onde normalmente está um senhor fardado, simpático e um autocarro à espera dos visitantes.

Bárbaros. Eu que poderia ir de carro até lá acima sou obrigado a pagar a estes gajos para me levarem?

Existem WC’s, um café com esplanada, um mapa gratuito que nos é entregue com o bilhete do autocarro, um saco de plástico para trazermos o nosso lixo para baixo, marmotas, cabras, águias, árvores, rios, lagos e refúgios onde só se chega a pé, com mesas de madeira e gente queimada pelo sol de cabelo despenteado e de botas de montanha como nos bonecos da Heidi.

Acampa-se para pernoitar e come-se ao ar livre junto ao riacho como nos filmes de cowboys.

Aqui vai-se de carro às compras ao ponto mais alto de Portugal Continental, vai-se de mota para o Covão da Ametade e fazem-se churrascos em mausoléus de mármore em perfeita consonância arquitectónica com a mediocridade de quem decide.

Mija-se para o rio porque os balneários deviam ser pocilgas onde até os porcos desistiram de viver e não se bebe no café porque está fechado e nem tem energia eléctrica (não há energia solar na Serra da Estrela). Não há mapas porque quem os poderia fazer não conhece a Serra. Nunca lá foi e mesmo que quisesse não podia porque, infelizmente os jipes não podem ir a todo lado.

Eu fui, conheci cá dentro mas também fui lá fora. Já andei os Alpes franceses, nos pirenéus, no Picos da Europa, nas montanhas Tatra na Polónia e nos Alpes julianos na Eslovénia e gostei bem mais.

Por isso continuo a ir, lá para fora até que se lembrem que assim não dá.

Mas tenho pena, principalmente de quem não pode fazer como eu e procurar estas coisas lá fora, e não é sem dor na alma que o escrevo porque, eu posso dizê-lo, já por cá andei e vale a pena, desde que a alma não seja pequena.

25/01/2008

Sir Edmund Hillary

A notícia já vem um pouco tardia mas não deixa de fazer sentido.

Sir Edmund Hilary
faleceu no passado dia 11 de Janeiro de 2008 com 88 anos.

O montanhacima não deixa de querer prestar homenagem ao primeiro homem a pisar o topo do mundo e que tanto fez pelo povo sherpa dos Himalaias.

Notícia em espanhol aqui.

18/01/2008

Farrapos de montanha

Tudo começou com um bacalhau assado e batatas a murro, mergulhados em azeite, lá para as bandas da Aldeia de Joanes.

Com as mãos a esfregar a barriga rumámos ao refúgio “Nelinha das Lãs” onde, como já vem sendo hábito, fomos recebidos com honras de chefes de estado.

Apesar da tosse com que estava, o entusiasmo insuflado pelo facto de estar prestes a partir para a montanha com o João Garcia, fez com que o meu sono fosse ligeiro e rápido. Acordei com a sensação de ter adormecido há 5 minutos.

Saímos do Fundão à hora combinada e chegámos à Plataforma de Bejar no ápice.

De dentro do carro o termómetro antevia um choque térmico violento. Estavam -2ºC.

A botas pisaram os primeiros cm de neve por volta das 11h. O caminho faz-se por entre vegetação rasteira coberta por uma camada de cerca de 40 cm de neve. Não havia vento e o céu estava limpo.

As previsões diziam que estaria assim até domingo, podendo haver vento de madrugada e agravamento das condições ao início da tarde de domingo, o que seria perfeito para os nossos planos.

A serra de Bejar tem a forma de um pão de Mafra, dos compridos, com duas bochechas no lado sudeste: O Canchal de la Ceja (2342 m) e o Torreon.

Não tem uma paisagem surpreendente mas serve perfeitamente o propósito de tirar o pó às ferramentas de Inverno.

Escolhemos um local pouco abrigado do vento mas suficientemente plano para o acampamento. Em 20 min o Campo Base estava montado.



Vencendo a preguiça que reinava ainda saímos para um aquecimento na encosta norte do Canchal de la Ceja.

O João e a Inês decidiram-se por um trekking ligeiro enquanto que os 4 farrapos atacaram, em força, as pendentes de 60º de la Ceja.

Acabámos com a ajuda da corda que, prudentemente e porque o olho esquerdo é irmão do direito, o João tinha colocado na mochila.

Regressámos às tendas com a sombra a pisar-nos os calcanhares a tempo de preparar o 2º lanche do dia com chá feito a partir de neve derretida.

Por entre conversa fiada, fatias de pão com fuet, queijo e massa bolonhesa da Decatlhon regada com vinho tinto alentejano a noite foi esticando esquecendo-se os -4ºC do lado de fora.

15/01/2008

Prometido é devido - sierra de Bejar

Já cá estou de volta e como ainda não tive tempo de escrever um texto aqui ficam as imagens.

As imagens aparecem desordenadas mas é um problema que não domino. Pelo facto a gerência pede desculpa.

11/01/2008

Sierra de Bejar

Apesar da tosse que parece que me quer pôr as entranhas cá fora e das previsões de mau tempo a vontade de tirar o pó às ferramentas de inverno fala mais alto e, ainda hoje, vamos nos fazer ao caminho para conhecer mais um maciço montanhoso.

Este fim de semana vai ser passado na Sierra de Bejar, que fica entre Portugal e a Sierra de Gredos, na companhia do mais ilustre alpinista português.



Passem por cá que depois conto-vos como foi...

04/01/2008

Sobre rodas

Agora tudo irá correr sobre rodas...



Em Novembro de 2007 demos um passo em frente e comprámos uma casa de férias. Trocámos a tenda que nos tem acompanhado nas férias por uma casa no campo, na praia, na cidade, no norte, no este no sul ou no oeste.

O montanhacima sofisticou-se e tem agora uma caravana.



O atraso na apresentação da novidade deve-se ao "restyling" necessário ao tecido das almofadas.



Com a chegada do Gaspar o conforto falou mais alto.

Tem frigorífico, fogão, cama de casal, 2 camas individuais e wc completo. Um luxo!




Os alpes já estão na lista de destino para este verão.

Apareçam para um café acabadinho de fazer com biscoitos de gengibre.