21/07/2011

Insólito Gerês

Como venho lá de cima indignado, irritado e, principalmente, triste as próximas histórias vão andar todas em redor do mesmo tema.

O parque de campismo de Cerdeira é o primeiro em Portugal que cumpre os mínimos de um parque de montanha com verdadeiras preocupações ambientais, com um cuidado extremo na forma como lida com o bosque onde está inserido e que incentiva à actividade física.

Todas as semanas é afixado um programa de actividades à semelhança do que se faz lá fora. Uma coisa do género:

Semana de 7 a 12 de Julho:

- 2ª feira, 9:00 - passeio pedestre pelo trilho da águia do sarilhão: 3,5€/pessoa
- 2ª feira, 14:30 - escalada e actividades no parque aventura: 10€/ pessoa
- e por aí fora.

Quem quer ir passear pelo seu próprio pé tem à entrada do camping um placard grande com uma reprodução de uma carta militar da zona e com 5 percursos assinalados, cada uma com sua cor e respectiva extensão.

Dirigi-me um dia à recepção e estive 15 min à conversa com um dos funcionários que conhecia bem alguns destes percursos embora não os tivesse feito todos e ainda me revelou que um deles estava mal assinalada pq este ano não tinham ido fazer manutenção/limpeza.

Embora gostasse de ter mais informação já considero isto um enorme passo na promoção destas actividades mas tb percebo que se o percurso é livre pq raio uma entidade privada como o parque Cerdeira é que tem que suportar os custos da manutenção e sinalização dos percursos?

Pq é que em Portugal todos trabalham de costas voltadas? O Parque Nacional da Peneda Gerês que tem a jurisdição bem podia fazer um protocolo com estas entidades mas não. O parque de Cerdeira que é uma entidade privada fala do PNPG como se de um estorvo se tratasse ao desenvolvimento da região. A população está revoltada com o facto de ter de pagar para ir a Espanha. Uma entidade como um PNPG será sempre uma mais valia em qq país excepto em Portugal. Não se entende.

Aqui a sensação com que fico é que o PNPG só atrapalha, restringe, proíbe, cobra. Não oferece nada em troca!

Assim nunca lá iremos...

Educação ambiental é experimentar. É preciso atravessar a pé um bosque de faias e de carvalhos e encontrar um azevinho com 6 m de altura para perceber que o eucalipto é feio e que não pertence aquele cenário. Mas para isso é preciso levar as pessoas ao sítio. É preciso sentir e ver com os olhos o valor das coisas.

Não bastam um cartazes e uns computadores que não funcionam num suposto museu.

Já estive me muitos parques naturais por essa Europa fora onde se paga para entrar inclusivé a pé mas tenho em troca trilhos assinalados, wc's nos parques de estacionamento, mapas, gente informada, avisos meteorológicos...

Não é a primeira vez que escrevo sobre este tema e relembro um post antigo a que dei o título: "E porque não em Portugal?"

PS: como sou teimoso na net consegui alguns trilhos para gps que não vêm nos mapas nem são do conhecimento de quem lá trabalha. Se por lá quiserem andar apitem!


18/07/2011

Eu bem insisto mas em Portugal falta fazer muito...

Fomos de férias até ao Gerês e num passeio com o objectivo de dar uso às solas dos sapatos fomos até à Portela do Homem pela Mata da Albergaria.

No verão para passar com o carro paga-se e no local onde está o guarda e um cobrador de portagens o diálogo foi o seguinte:

Eu: bom dia
Guarda: Bom dia, sabe que está a entrar numa zona de reserva integral e que cobramos 1,5€ pela passagem da viatura.
Eu: Sim senhor. Se deixar aqui o carro não pago nada?
G: Exacto. A ideia é proteger a mata, diminuir o tráfego automóvel e incentivar as pessoas a andarem a pé.
E: Mas isso é muito bom e por onde é que eu posso andar a pé?
G: ah, pela estrada.
E: mas assim vou-me cruzar com outros carros?
G: Pois, tem que ter cuidado...
E: Mas não existe nenhuma alternativa?
G: Há sim, tem ali a via romana.
E: Onde?
G: Lá em cima.
E: Mas onde exactamente?
G: eeehhh... não se vê daqui. Fica ali em cima. Temq ue dar a volta com o carro e subir.
E: Mas aqui não está assinalado.
G: Não, pois...
E: Mas vem no mapa? Têm algum mapa com essa alternativa assinalada?

G: Há mapas com isso marcado.
E: E têm aí algum?
G: Aqui não. Nós aqui não temos mapas.
E: Ah ok. Então é 1,5€ não é
G: É.
E: Obrigado e bom dia
G: Obrigado e boa viagem. Já sabe que não pode parar...