19/12/2005

A faixa do meio

Por razões orçamentais o governo decidiu que as novas auto-estradas irão ser construídas apenas com a faixa do meio.

Uma vez que as outras duas faixas não têm tido praticamente utilização (principalmente a da direita) será também abolido o cartaz, de criação exclusivamente portuguesa, que sugere: "circule pela direita".

Web Photo Gallery

Para os amantes das foto reportagens podem espreitar aqui ao lado as galerias de imagens.

A mais recente é a da
festa de Vale do Paraíso.

Vão passando por cá que hão-de aparecer novas galerias e as existentes vão sendo actualizadas.

NOTA: para que as fotos na vertical não façam desaparecer a barra de navegação clicar no F11 para maximizar o ecrã. Para voltar ao normal clicar novamente em F11.

14/12/2005

O nome da rua

Desde que comecei a sair de casa para viajar que gosto de trazer recordações dos sítios por onde passo. Recordações essas muitas vezes em forma de fotografia.

Uma das características de uma cidade é a sua toponímia, isto é, os nomes que são dados às ruas, praças, largos, becos e afins e o suporte utilizado para a sua inscrição. É este último que me despertou a curiosidade.

Um pouco por casualidade reparei que cada cidade tem um modo diferente de expor os nomes dos lugares. Placas de metal, pedra, azulejo, pintado ou gravado. Cada cidade ou vila tem o seu estilo, umas vezes mais cuidado, outras menos.

Já lá vão uns anos em que cada cidade que visito faço uma fotografia de uma placa com um nome de uma rua, praça ou beco.

A ideia é compilar o maior número de fotografias de nomes de ruas possível o que, com a era digital, se torna mais fácil e aqui fica um de muitos testemunhos:

Setúbal
Em breve haverá uma fotogaleria com muitas destas inscrições que tenho captado ao longo dos anos.

12/12/2005

Foto-reportagem de Gredos - parte II

As fotos que não publiquei aqui podem ser vistas com um clic:
- mais imagens
- panorâmicas

Piquenique no venteadero (foto: F. Conceição)

Filipe, eu, David

A caminho do venteadero

idem

O Almanzor, depois de lá termos estado

O Filipe a desaparecer

A caminho do venteadero (cume da Galana ao fundo)

Manu, o cão de um montanheiro

No terraço do refúgio à luz da lua


A sala de convívio do refúgio Elola (foto: F. Conceição)

O fecho da cordada (foto: F. Conceição)

Foto-reportagem de Gredos

Mais uma vez o montanhacima foi até à Serra de Gredos.

Uma equipa que pela primeira vez se juntou e funcionou tão bem que ficaram promessas de muitos mais projectos:


Senda de la Laguna Grande


A caminho do Circo de La Laguna Grande


Ameal del Pablo ao nascer do sol




Sopa de lentilhas - jantar no refúgio


Almanzor - 2596 m


Ascensão ao Almanzor - corredor do Crampon


David na face oeste do Almanzor

06/12/2005

NIKON D70s



Finalmente tenho a tão esperada prenda de aniversário.

Agora vou-me dedicar à caça... de imagens.

05/12/2005

Memórias: o murro

A escola preparatória para a qual deveriam ir os miúdos do bairro Girassol era a escola preparatória de Alfornelos que fica entre a Brandoa e o Bairro da Colina do Sol, perto da Pontinha e não é propriamente uma escola das Avenidas Novas.

Era a minha escola preparatória.

Num fim de um dia de aulas do sexto ano, esperava o autocarro para o regresso a casa, junto dos meus colegas e amigos. Na misturada de gentes de quinto e sexto ano surge um conflito qualquer que, já nem me recordo porquê, fez com que eu necessitasse de fazer valer o meu estatuto de aluno de um ano mais avançado e que não estava para aturar putos.

O tal puto, do quinto ano, não me recordo porquê, insultou-me. Eu, sem mais nem ontem, dei-lhe um valente empurrão para trás da paragem do autocarro. Ora esta paragem era daquelas que costumavam ter um vidro para proteger os passageiros do vento e do frio, mas como estávamos em pleno subúrbio Lisboeta o vidro já não estava lá e, o puto, caiu desamparado sobre um silvado, com a mochila carregada de livros.

Depois de se ter desenvencilhado, com a destreza de um cão de caça que procura a sua presa por entre os arbustos, levantou-se, furioso e espetou-me um murro na cara.

É nestas alturas que parece que o mundo pára à nossa volta. Só se ouvia o respirar ansioso do público, em suspenso, à espera da minha reacção. A carga emocional pesava sobre mim e uma reacção urgia. O autocarro já rugia a subir a ladeira que vem da Brandoa obrigando-me a reagir sem pensar. Foi então que decidi, à boa moda Stallone na saga Rocky, alçar o braço esquerdo (não que seja canhoto mas a mão direita estava ocupada a segurar a mochila, pendurada num só ombro), fazer uma cara raivosa e concentrar toda a minha força no punho esquerdo.

Este processo foi tão lento e denunciado que me recordo dos olhos dele, parados, vidrados a olharem-me de baixo para cima, como que a aceitar a vingança. Afinal tinha sido ele o causador do reboliço e estava a preparar-se para o impacto.

A minha mão aproximou-se da sua face direita no preciso momento em que ele, antevendo o desfecho, a virou. Poff! Acertei-lhe em cheio no maxilar inferior direito. A minha cara de dor foi tão denunciadora como a do susto que ele apanhou.

Numa tentativa frustrada de disfarçar a dor e não mostrar fraqueza, salvo pela chegada do autocarro, virei costas e lá fui em direcção à porta agarrado à mão, com as lágrimas a quererem romper.

Ele entrou no autocarro e sentou-se no banco em frente do meu mas não trocámos qualquer palavra.

Eu ainda sentia a adrenalina a escorrer pelas veias e o corpo a tremer sem que o conseguisse controlar. O latejar do coração no dedo anunciava uma tarde de sofrimento agarrado à mão esquerda.

Ainda me passou pela cabeça que se me estava a sentir assim o outro ainda estava pior, mas não. A minha falta de jeito para pugilista tinha surtido um efeito mais devastador no atacante do que no atacado.

À noite fui com o meu pai ao hospital de Santa Maria para pôr uma tala no dedo indicador esquerdo, pois estava fracturado.

No dia seguinte apareço na escola de braço ao peito e vejo o meu adversário com uma pequena marca negra no queixo, que passou no dia seguinte enquanto que eu andei 3 semanas com o dedo entrevado. Assim que me viu dirigiu-se a mim, pediu-me desculpas e ainda perguntou se o meu pai não ia fazer queixa dele ao Conselho Directivo. Ao que eu respondi, perplexo com o despropósito da pergunta, mas sem vacilar: Não, desta vez passa!