29/11/2005

Post(al)


No meio desta era de tecnologias digitais ainda dá muito prazer escrever um postal. É um prazer maior para quem o envia, principalmente quando os correios locais têm o bom gosto de fazer selos destes.

Ontem recebemos um postal de uma amiga que anda há 25 dias a passear pela Argentina e foi com estes selos que ele chegou até às minhas mãos. Merece um destaque especial.

18/11/2005

Memórias: o bairro Girassol

Vivi, durante muitos anos num bairro chamado Bairro Girassol, na Venda Nova, entre as portas de Benfica e a Amadora. Este bairro era como uma ilha rodeada de bairros e ambientes pouco recomendados. A nascente ficava o bairro das Fontaínhas, a sul o bairro 6 de Maio, junto da Damaia, paredes meias com a Cova da Moura. A nossa casa era um apartamento alugado, com dois quartos, uma sala e uma cozinha de proporções descomunais, de tal modo grande que mais tarde se dividiu em duas partes onde, numa delas ficou o meu quarto.

Este bairro era pacífico, na medida do possível, mas eu sentia que vivia num mundo à parte. Os meus pais tinham ambos instrução, eu tinha regras em casa, não ficava na rua durante os dias de semana até tarde, os meus pais não eram empregados de nenhum dos vizinhos, enquanto que os pais de alguns amigos eram mulheres a dias de alguns de nós ou mesmo funcionários em alguns negócios de outros vizinhos e principalmente, tanto eu como a minha irmã tínhamos uma relação normal com uma instituição chamada escola.

Não foram poucas as vezes que me senti o puto careta, menino da mamã, que não joga à bola nas arcadas nem vai tocar às campainhas dos vizinhos à 1 da manhã só para chatear. Não foram poucas as vezes em que me senti aliviado por não ter paricipado numa qualquer brincadeira palerma que acabou no hospital ou a fugir da polícia.

Mas lembro-me de muitas estórias e personagens dignos de serem relembrados.

Lembro-me do Lelo, filho de uma vizinha que chegou a ser nossa mulher a dias, do Maugão, que vivia numa família da qual nunca percebi as origens nem a relação entre todos eles. Sei que eram da Família do Jesus, treinador de futebol, do Russo, jogador de futebol, eram todos primos uns dos outros e todos chamavam madrinha a uma senhora já de idade, muito simpática, que devia ser o sustento de toda aquela criançada, incluindo um miúdo angolano órfão de pai e mãe. Lembro-me do Zé das Drogas, o dono da farmácia que era um emproado, da Bruxa, a mulher do nosso senhorio e que no Sto António ao pedirmos uma moedinha nos mandava baldes de água pela janela, da Bruaca da mercearia (que já tinha sido da Chica Rata), que trouxe o progresso à mercearia do bairro instalando uma caixa registadora tipo supermercado e uma balança digital para pesar o fiambre. Do senhor Pimpão, que era enfermeiro e não foram poucas as vezes que coseu cabeças partidas pelas brincadeiras dos putos, da dona Ema dos rissóis, da dona Angelina e do senhor Arnaldo (nanala, como eu lhe chamava), do Caguinhas, da Careca, da velha Piscareta e da avó Mangerica, ambas avós do meu vizinho e amigo, filho da cabeleireira que lavava a cabeça das clientes no lava-louças da cozinha, até que se modernizou e montou um cabeleireiro na sala do apartamento onde viviam.

Lembro-me da Tafina que se amigou ao Zé das Drogas, passando este a ser o Tafão e padrasto do Tafilho, da dona Dilma, a padeira casada com o guarda nocturno que dava tiros para o ar às 3 da manhã de modo a espantar os seus próprios medos e que, para além de lhe terem roubado a arma, resolveu interpelar uma senhora que saía do cabeleireiro com um ramo de flores na mão, alegando que não a conhecia e portanto era suspeita. A pobre senhora ia a caminho do cemitério, na sua mais pura devoção a um qualquer familiar perdido. Lembro-me do senhor Quim, um homem estranho que pesava quase 200 quilos e que ganhava a vida a acumular papel num armazém na cave do meu prédio, de um casal que era vizinho da dona Ema, a dos rissóis, e que, sempre que havia eleições ou era feriado nacional, punham a bandeira de Portugal na varanda.

Lembro-me de num dia 31 de Dezembro, pelas 9h da manhã a dona Dilma, a simpática padeira, vestida com a sua bata branca, tocar à nossa campainha para nos avisar que o carro da minha mãe, um Fiat Panda vermelho, estava sem duas rodas. Roubaram as duas rodas do lado direito durante a noite deixando o carro assente em dois toros de madeira.

Lembro-me do café Oh Salsinha, onde comíamos caracóis, do Bigode do Meu Tio com os melhores pastéis de nata do bairro, do supermercado Pão de Açúcar, onde para lá chegar tínhamos que atravessar um descampado, a correr, para não sermos assaltados pelos miúdos do bairro 6 de Maio.

Lembro-me ainda as inúmeras vezes em que se abriam valas ao longo da rua para passar cabos, ora de água, ora de telefone, ora eléctricos, ora por nada, pois havia que dar trabalho às pessoas, principalmente em ano de eleições. Lembro-me das árvores em frente do meu prédio terem todas nome, a árvore dos piolhos, a árvore das aranhas e a nespereira que, na época em que dava fruta, era assaltada pelos putos do bairro das fontaínhas, o que muito arreliava os meus vizinhos.

Não sei o que é feito de todos estes personagens, uns já cá não estão, outros talvez, mas fizeram todos parte de um filme real que preenche muitas das minhas memórias, na Avenida Curry Cabral, do Bairro Girassol.

Continua...

15/11/2005

Fotos da Serra II


Algures em busca de D. Sebastião - (Pedro Oliveira)


Pinus silvestris - (Pedro Oliveira)


Ai se não fosse o GPS - (Pedro Oliveira)


Planalto Central - (Pedro Oliveira)


Cântaro Magro com -4ºC - (Pedro Oliveira)


Vale de Loriga - (Pedro Oliveira)


Torre - (Pedro Oliveira)


Castanheiro - (Pedro Oliveira)

As fotos da Serra

No passado fim de semana e a pedido de vários amigos fomos até à Serra da Estrela para uma tentativa de passeio invernal.

Um grupo que se previa atingisse os 27 membros reduziu-se a 15 mas com uma energia e uma carga positiva de se lhe tirar o chapéu. Até porque alguns concretizaram um sonho de infância que era ver nevar.

Aqui ficam alguns registos fotográficos feitos pelos participantes:

Lagoa comprida - (Catarina Reis)

-4ºC - (Catarina Reis)

Cão, Serra da Estrela - (Pedro Oliveira)

Início da caminhada na lagoa comprida - (Pedro Oliveira)

Lagoa comprida - (Pedro Oliveira)

Mal entendido

Amigos, o post anterior gerou alguma confusão que vou esclarecer:

A famosa D70s ainda não chegou. Aquela fotografia foi tirada com uma máquina emprestada.
Só devo ter a nova máquina a partir do dia 23 de Novembro e prometo que vão dar por isso pois vou começar a disparar em todas as direcções.

Mal entendido esclarecido.

Um bem haja para todos os que, ansiosamente, visitam este blog.

08/11/2005

Pois,...



...agora com uma máquina fotográfica digital e o photoshop podemos desenhar esse mesmo perfil com a mão esquerda levantada e a direita no rato.

07/11/2005

Exercícios de desenho

Lembram-se das aulas de educação visual em que um dos exercícios era desenhar, à mão levantada, o perfil de uma qualquer paisagem?



Perfil da Serra da Arrábida, vista de Setúbal, hoje às 18:00.

Insólitos Portugal

Fujo um bocadinho ao tema deste blog mas há um assunto que me deixa indignado, ora vejam:

A Brisa diz que o preço a pagar pela utilização de uma auto-estrada é igual à soma dos diversos troços desse percurso, ou seja, o valor de Lisboa ao Porto é igual à soma dos diversos troços. Podemos sair e voltar a entrar na auto-estrada que pagamos o mesmo.

Pareceria justo se assim fosse em todo o país. Mas na auto-estrada dos ricos, a A5, que liga Lisboa a Cascais paga-se 1,10€ para a percorrer na totalidade e mais 0,25€ se se sair em Porto Salvo. Ou seja quem vier de Lisboa para Cascais e tiver que ir a Porto Salvo ou ao Oeiras Park paga 0,25€. Depois volta a entrar na A5 e paga em Carcavelos mais 1,10€ ficando assim o percurso total em 1,35€. Fazer o trajecto em duas etapas sai mais caro do que numa só. E o mesmo acontece com a nova portagem do Estoril.

No mínimo insólito!

Para quem percorreu 9100 km nas estradas da Europa é no mínimo insólito que Portugal seja o único país a incentivar a entrada de veículos na cidade. Senão vejam: quem vem de Cascais com o objectivo de ir para o Porto se quiser fazer o trajecto mais seguro, mais rápido mas mais caro pode optar pela CREL, não percorrendo a cidade de Lisboa. Mas, para quem já paga o combustível a preços de rico, 3,50€ de portagens é dinheiro e, portanto, opta pela travessia da cidade de Lisboa, que é gratuita.

De todas as cidades europeias que atravessei de carro, Lisboa é a única em que se paga para não entrar...

É assim que enquanto uns discutem as portagens para entrar em Lisboa outros, de costas voltadas, discutem as portagens para sair de Lisboa.

Insólito... e bem português.

Liguei para o número de apoio ao cliente da Brisa e a resposta foi: - pois tem razão, a soma do preço da portagem por troços é igual ao total da portagem caso faça o percurso de uma vez só. E a A5? Perguntei. Pois, a A5 é diferente (deve ser noutro país, pensei). Como só existe uma portagem paga mais se sair a meio. Também ninguém anda a entrar e a sair das auto-estradas.

Pois, nem existem complexos empresariais nem empresas de distribuição ao longo da A5. Eu tenho cada ideia.

Isto hoje está um bocadinho ácido... mas há coisas que me irritam!
Até breve e... passem por cá, mas de uma vez só. É que se não lerem isto de seguida pagam duas vezes, ai pagam pagam!