20/08/2005

Ainda não é desta...



Como já vinha sendo hábito a entrada na Croácia foi mais uma vez adiada pois ainda passámos dois dias com uns amigos que não víamos desde 1996 em Ljubljiana, Eslovénia.
Ljubljiana é uma cidade que tem algo de especial não sei se por ser pequena, se pelas pessoas mas tem qualquer coisa e... ainda bem que lá fomos. Aliás toda a Eslovénia merece uma visita.

Em actividade II



Com o chamamento da montanha a Croácia parecia cada vez mais longe e foi aí que decidimos deixar de vez as paisagens alpinas.

No entanto ainda queríamos passar por Udine e conhecer pessoalmente uma blogonauta com quem a Ana tinha trocado alguns e-mails. Contactámo-la e combinámos um encontro para essa noite, em Udine. Deveriam ser umas 13:00.

Depois da quarta tentativa descobrimos que em Itália o almoço é sagrado e que as bombas de gasolina, mesmo nas vias rápidas, fecham das 12:30 às 14:30. Com os nervos já a tomarem conta do bom senso e com muitas blasfémias à mistura dei à chave que estava na ignição do kangoo encarnado e um luzinha amarela que aparece no painel mas logo desaparece não se escondeu. Não, não é a luz da reserva mas sim a que indica que existe uma avaria qualquer. Melhor ainda é que com as novas tecnologias estas luzes fazem com que, por segurança, o carro não ultrapasse os 60 km/h.

Para quem tinha 130 km a percorrer, em auto-estrada, não era um bom presságio.

Depois daqueles 10 minutos de desespero que nos assolam quando achamos que só a nós é que nos acontecem destas lá consegui contactar a assistência Renault internacional que me enviou um reboque.

Este reboque conduzido por um simpático Italiano, que falava pelos cotovelos, mas só italiano, tinha a missão de me levar à oficina mais próxima que ficava a 8 km dali mas a 120 km de Udine. O problema é que estávamos numa tarde de sábado e as oficinas só abriam na segunda-feira.

O simpático condutor entretanto tinha um dilema: a oficina para onde deveríamos ir não tinha, nas proximidades, qualquer tipo de alojamento para nós e a que ficava ao pé de um parque de campismo só reparava camiões.

Mudámos de direcção na estrada pelo menos umas 3 vezes até que nos decidimos ficar no parque que estava ao pé da oficina dos camiões.

Quando desço com o carro de cima do reboque a tal luz de segurança tinha pura e simplesmente desaparecido. Uma luz que indicava avaria continuava acesa mas o sistema de bloqueio da velocidade estava desactivado. Se calhar precisava era de um pouco de descanso...

Decidimos, embora a medo, ir até Udine em busca do auxílio da nossa amiga e fizemos seguramente umas 30 tentativas de contacto. Nem telemóvel nem fixo. A moça tinha desaparecido.

Chegámos a Udine e demos uma última oportunidade aos telefones quando de repente alguém atende do outro lado. A Camilla não tinha ouvido o telefone mas sim tinha levantado o auscultador para ligar ao 112 a saber de dois portugueses perdidos no norte de Itália justamente no momento em que nós ligávamos. Eram umas 22h mas finalmente tínhamos encontrado a nossa anfitriã para os próximos 2 dias.

Quando a Camilla chegou ao pé de nós, dei de novo à chave e... tudo normal. Nenhuma luz acesa. Como é que eu explico a alguém, que nunca me viu, que o meu carro que, há 5 minutos estava avariado agora já não está, de modo a que não soasse a aldrabice.

Eu não acredito em bruxas mas que elas existem, existem!
E foi assim que passámos dois dias em Udine e, mais uma vez, a Croácia ficou adiada.

19/08/2005

Novamente em actividade...

Visto que a parte Pirenaica da nossa grande travessia foi tão bem relatada e documentada pelo arrumário vou falar-vos um bocadinho do resto da aventura.

Largámos as montanhas Espanholas para mais uma paragem em terras altas, desta vez foram os Alpes Dolimiti. Ficam no norte de Itália perto da fronteira com a Áustria e a Eslovénia.

Por aqui as imagens falam por si:





Estas formações rochosas que sobressaiem e contrastam com o verde da montanha merecem uma visita embora o facto de estarem demasiado humanizadas nos deixe um pouco desanimados. É que o conceito de que as montanhas quando nascem são para todos aqui é levado muito a sério e não há pedacinho de montanha, cume ou penhasco que não esteja acessível ao homem por um qualquer meio mecânico. O ruído visual provocado pelo excesso de cabos e postes chega a roçar a irritação. Até as zonas mais inacessíveis estão cravejadas de correntes, cabos de aço e escadas metálicas para que todos, dos oito aos oitenta, possam subir e descer.

A tradição das vias ferrata está tão intimamente ligada aos Dolomiti que o passeio domingueiro ao shopping ou ao café da esquina aqui faz-se de arnês à cintura coma a família toda: avô, avó, pai, mãe, filho, filha e cachorro num ambiente verdadeiramente alpino. E digo-vos que a média da faixa etária que por aqui se vê está bem perto do 50.

Como já tenho recebido algumas queixas do exceso de montanhas e da falta de oxigénio que isto provoca a este blog fica aqui a promessa que nesta grande travessia acabaram-se as montanhas.

O próximo episódio tem um toque dramático que agora só dá para rir... e ainda bem. Não percam.