30/05/2005

Novidades na montanha

Uma empresa fabricante de helicópteros lançou um novo modelo que permitiu uma aterrajem de 2 minutos no topo do Everest. É a primeira vez que um helicóptero pousa na montanha mais alta da terra abrindo assim um novo ciclo na história dos salvamentos e resgates em montanha.
Dêem uma espreitadela no local de onde tirei a informação.

25/05/2005

De regresso aos Pirenéus: 3298 m + 3 m

Depois da notícia sobre o sucesso da dupla João Garcia e Hélder Santos e o incentivo de dias maiores decidi partilhar aqui um objectivo que já foi falado neste blog:



O Vignemal, ou Pique Longue, foi conquistado pela primeira vez em 1861 por
Henry Russell e é desde então um dos cumes de 3000 m mais apetecível, nos Pirenéus. Embora não seja o mais alto é o que mais desafios levanta pois encontra-se encaixado sobre um glaciar, o glaciar d’Oussoue e, na sua face norte, tem um dos corredores mais difíceis e arriscados de toda a cordilheira: o famoso Corredor de Gaube.

Curioso é que a zona do Vignemale foi concessionada a Henry Russell a 5 de Dezembro de 1888, por um período de 99 anos e ao preço de 1 franco por ano. Ele foi dono de 200 ha de montanhas entre os 2300m e o 3300 m de altitude, incluindo o Pique Longue.

Russell descobriu uma série de grutas onde passou algumas noites, organizou missas e encontros, recepções a príncipes e reis estendendo tapetes vermelhos sobre a neve do glaciar e, o mais bizarro de tudo foi ter construído uma torre de pedras com 3 m de altura para que a montanha superasse a altitude de 3300 m (afinal nós não inventámos nada ao fazermos o mesmo na S. da Estrela).

É este mítico cume que eu e mais uns amigos andamos a perseguir e pela 3ª vez, espero que a última, vamos tentar pisar o píncaro onde há 144 anos alguém olhou as nuvens de cima.

Os feriados do 10 de Junho e de Santo António vão ser passados longe das sardinhas e das marchas populares. Façam figas para que eu possa trazer mais uma aventura no bolso para alimentar este blog.


(as imagens apresentadas foram retiradas da internet)

23/05/2005

Mais um...




Parabéns João Garcia!


Já lá vão seis montanhas com mais de 8000 m. Desta vez foi o Lhotse e aqui fica a minha homenagem.

Notícia retirada do jornal público online:

"A primeira expedição portuguesa a uma montanha com mais de oito mil metros foi coroada de sucesso. Este sábado, pelas 13h locais (início da manhã em Portugal), João Garcia pisou o cume do Lhotse, a 8516m, e anunciou o êxito da sua tentativa num contacto rádio com o outro membro da equipa, Hélder Santos, que entretanto foi forçado a abdicar da subida devido a problemas nos ouvidos.

20/05/2005

13/05/2005

O grito de revolta: assim não dá

Na estória anterior falei da viagem à Serra da Estrela mas não referi um pormenor importante e desagradável que, infelizmente, vai sendo comum nos nossos parques naturais: a quantidade de lixo de plástico, de várias côres e formas, que aparece e não desaparece sózinho.

No domingo, ao regressarmos aos carros, vindos do Fragão do Poio dos Cães, quase distraidamente, alguém apanhou um saco de plástico que por ali andava perdido. Sem querer estávamos todos a recolher lixo pelo caminho de regresso e espantosamente, em 300 m de caminhada, juntámos dois sacos enormes daqueles do lixo cheios de plásticos, garrafas e até um trenó partido.

Perguntam-me porque é que em Portugal não se divulgam mais os nossos parques e nem sequer existem percursos assinalados para que possamos usufruir da nossa Natureza. Começo a achar que é melhor assim pois quanto mais longe vamos mais estragamos e mais queremos deixar a nossa marca, negativa. Assim não dá...

Existe um frase que diz "Não deixe nada mais do que pegadas não traga nada mais do que fotografias".

Este sitio de que vos falo está a menos de 5 minutos da estrada e tem a melhor vista da serra que eu conheço. Ninguém lá vai porque tem que se andar a pé e, pelos vistos, ainda bem...

10/05/2005

Gravidade zero




É só para dar um cheirinho do que se andou a fazer pelas bandas da Serra da Estrela no fim de semana passado. Um grupo de oito mulheres, um guia engripado e muito boa disposição foram os ingredientes principais deste banquete de sol, cores e flores.

Mais uma vez fui testar as minhas capacidades de guia e levei este grupo a conhecer a Serra da Estrela como ela é, sem neve, sem queijos falsos e peles típicas vindas directamente de Marrocos, sem carros e sem gente. Para isso bastou afastarmo-nos 100 m da estrada asfaltada que a atravessa e descobrirmos porque é que alguém se lembrou de classificar aquilo de Parque Natural:

Saímos do Covão da Ametade pelas 13h, já com a barriga preenchida, rumo ao Covão Cimeiro. Nesta primeira subida deu para perceber que a aeróbica e o step ajudam mas é preciso lá ir mais vezes pois ouviam-se alguns lamentos. Com algumas paragens técnicas e a ajuda das muitas máquinas fotográficas que por ali se viam em menos de 45 minutos estávamos no Covão Cimeiro (não sei se as paragens para tirar fotografias foram genuinas ou se foram uma boa desculpa para recuperar o fôlego).


Mais uma paragem e algumas explicações sobre as redondezas e lançámo-nos à mais dura subida do percurso. Agora é que elas me matam, pensei. Mas não. Portámo-nos todos à altura e apesar de ser bem mais difícil os lamentos diminuiram, talvez já por falta de força e alento.

Nada que não se resolvesse com a animada tagarelice típica deste grupo animado e sem preconceitos. Finalmente chegámos ao fim das subidas de todo o percurso e deu para perceber que temos aqui malta rija. Há pano para mangas. Estas meninas mostraram de facto que o sexo forte não é o masculino.

Daqui já se avista o Vale da Candeeira e a Lagoa dos Cântaros.


E foi para lá que nos dirigimos. Chegados à lagoa seria sacrilégio não fazer uma pausa prolongada e foi assim que, embalados pelo concerto dado pelas rãs, nos deixámos quase adormecer, entregues ao sol e ao tempo.

Como que acordados a meio de um sonho levantámo-nos a custo e fizemos o regresso em passo largo. Fechámos o circuito novamente no Covão da Ametade já com o corpo a pedir algum tratamento e alimento. Eu principalmente que já estava com febre devido à inflamação da garganta.

O balanço foi muito positivo e despertou o bichinho da montanha. Os próximos projectos começam a ficar mais perto e o entusiasmo vai tomando conta do meu cérebro.
Assim que me chegarem mais fotografias prometo pô-las aqui. Até lá... e obrigado Catarina pelas fotos.

04/05/2005

A Susana já tem um blog

Para quem acha que nunca tem tempo para nada e que os tempos livres se resumem a pequenos intervalos entre tempos ocupados aqui fica a sugestão de um blog para combater isso mesmo.

Espreitem o "dias maiores", e... boa viagem.

02/05/2005

Viva o cozido à portuguesa

Não resisto a fazer aqui algumas denúncias sobre as fraudes que se andam para aí a anunciar. Já não é a primeira vez que vou a um restaurante que está na moda anunciando algum exotismo e que se preocupa mais com aquilo que se diz do que com o que se come.

Desta vez foi um tal de restaurante russo o BOLCHOI, que fica na rua da Cruz dos Poiares, na zona de S. Bento.

É famoso pela dona, russa e que muda de roupa 4 vezes por noite. Uma mulher completamente histérica, que grita com os clientes com o sotaque russo que utiliza como imagem de marca mas que não passa disso. Teria muita graça e seria um local a visitar se não se tratasse de um local onde, supostamente se vai para jantar. Agora parece que é moda criar espaços, pôr-lhes nomes estrangeiros e chamar-lhes restaurante. O problema é que um restaurante é um sítio onde se come e portanto onde deve haver comida, principalmente quando se pagam 18,5 € por pessoa.

Para bebida não poderia faltar a famosa vodka, embora seja um sacrilégio chamar vodka ao licor de cereja da "loja dos trezentos" que se serve com o jantar.

A comida tem o sabor dos almoços servidos na cantina do técnico. Teria alguma graça se a ideia fosse recriar o ambiente de uma qualquer cantina de uma fábrica russa destinada ao proletariado. Agora duvido é que os operários russos pudessem pagar o que eu paguei.

A mesa, ou melhor, o conjunto de mesas que se juntaram dariam para 8 pessoas. Nada mau se nós não fossemos 14.

Nós somos portugueses e apreciamos a boa comida portanto, meus amigos, se querem abrir restaurantes estrangeiros façam-no com profissionalismo e principalmente com boa comida.

Perdoem-me os organizadores da coisa que sei que foi com boas intenções que o fizeram e principalmente aos recém casados, que pouco deu para conversar com eles.
Viva o cozido servido em travessas de inox, sobre toalhas de papel e copos riscados pela máquina de lavar loiça, com vinho servido em copos da Sumol mas que custa 6 €.