25/02/2005

Entardecer no deserto

(foto: Marrocos, Out 03)
O título de hoje não vem muito a propósito mas é véspera de fim de semana e o tema do chá não é assim tão alheio a este blog, até porque na barra de apresentação deste blog advertem-se os mais distraídos para a origem e inspiração que alimentam este espaço.
Em Granada, cidade que já visitei pelo menos umas cinco vezes e visitarei outras tantas sem enjoar, existe uma grande tradição de beber chá nas chamadas "teterias" (chá em castelhano diz-se té) que se concentram quase todas numa rua estreita, com uma forte influência árabe tanto na arquitectura como nos aromas que pairam no ar.
Mais ou menos a meio da rua, do lado direito para quem desce, está uma pequenina loja com um casal de ar meio "woodstockiano", na casa dos cinquenta. Ele, que com a sua farta barba nos conquista a simpatia, explica-nos que todas as misturas que lá se vendem são feitas por eles e são baseadas em misturas antigas, algumas até com vários séculos. Curioso também é que estão quase todas patenteadas. Coisas como sementes de laranja secas, raspas de amêndoa, pétalas de flores e canela são comuns em muitos do chás.
Um dos meus preferidos chama-se precisamente "atardecer en el desierto" e daí o título do tema de hoje.
P.S.: Se lá forem avisem porque está-se-me a acabar o stock...

18/02/2005

mau tempo...




Embora o sol brilhe o tempo continua uma bocado agreste lá bem perto do cume. Perdoem-me os blogonautas mas até para a semana vai ser assim.

Esperemos que venha aí uma janela de bom tempo com uma lufada de oxigénio para embriagar estas almas...

May the force be with you.

14/02/2005

Um divã em Belver



Hoje é segunda feira e ainda não me recompus da ressaca inerente a quem regressa à terra.
Fica aqui um desafio aos leitores deste blog... um mote para colmatar a minha falta de inspiração.

Arrisquem!

Gredos

Pronto, pronto... como fomos dois a ir até à Serra de Gredos a tarefa de partilhar a aventura convosco coube ao amigo Zé Maria e portanto vão lá dar uma espreitadela.
Podem ir já aqui ao arrumário onde estão os diários e albuns de viagem ou clicar aqui ao lado na secção dos links.

09/02/2005

a malta do fundão

Tal como anunciado num post mais abaixo cumpriu-se o objectivo de ir a té à Serra de Gredos para passar os últimos 4 dias e foi aí que por empatia natural se cruzaram dois grupos: o do Fundão e o de Sintra.
Este cruzamento transformou-se numa rotunda em que se acrescentaram mais 6 amigos ao meu círculo e com a ajuda do "uno" este grupo se tornou ainda mais uno.
Aqui fica a homenagem à "malta do fundão" e a promessa de que as pizzas do fundão, em breve, terão que ser divididas por mais dois...

03/02/2005

o chá das furnas



Foi num dia cinzento tipicamente açoreano, aliás muito bom na perspectiva de quem lá vive há pelo menos um ano. Saímos de casa sem rumo e inevitavelmente acabámos na direcção da famosa aldeia das Furnas, aquela onde se faz um cozido com o calor que emana das entranhas da terra. Seria talvez a vigésima quinta vez que mostrávamos as furnas a algum visitante continental.

Lá na terra das fumarolas onde o diabo faz a festa com banhos de enxofre existe uma casinha, muito simpática chamada: “o chalet da tia mercês”. É aí que, numa fonte cravada na parede bem ao lado da porta do “chalet”, brota uma água quente e com um aspecto acastanhado: a fonte do padre qualquer coisa (não me lembro do nome).

Chegados e arrumados nas cadeiras de palhinha pedem-se os chás e é aí que a senhora simpática de faces rosadinhas e curvas acentuadas, com um sotaque bem micaelense nos pergunta:
- Senhô, qué u chá cum água du pâdre ou cum água da turneiiira?”
- Com água do padre, por favor.

E aqui fica o testemunho. Aquilo que se vê dentro da chávena não é café nem sequer um qualquer chá preto inglês. É chá gorreana (o mais famoso dos açores) feito em água da fonte do tal padre que, devido às suas características ferrosas o torna numa bebida de cor arroxeada e sabor indescritível. Não digo se bom se mau pois a ideia é mesmo aguçar-vos a curiosidade.

Se lá forem experimentem!

Só a título de curiosidade: os Açores são a única região na Europa onde se faz cultivo de chá e 100% biológico, pois devido ao clima não há diferença entre a estação seca e húmida e portanto não existem pragas a combater, não sendo necessários quaisquer químicos.